Em entrevista ao MAGAZINE, o Secretário de Educação do Estado da Bahia relatou a importância de melhorar o ambiente escolar com a participação da sociedade para que os estudantes possam chegar em uma escola mais atrativa, que prepare cidadãos para o futuro.

O que é o programa Educar para Transformar e por que a Bahia precisa de um pacto pela educação?

O primeiro aspecto disso é uma necessidade de rever todos os procedimentos e métodos, e principalmente fazer uma revisão geral do conteúdo a partir do que foi trabalhado ao longo de décadas no processo educacional na Bahia e que a gente só teve a oportunidade de mexer com isso basicamente a partir de 2007 quando o governo do Jaques Wagner. Foi, com pilares muito bem definidos como educação básica, pensando também em aqueles que não haviam sido alcançados pelo processo de alfabetização; e um modelo mais arrojado de busca ativa, ou seja, caminhar por todos os cantos da Bahia buscando todos aqueles que estavam fora da escola. Associado a esse desafio, no governo do Rui Costa se trabalhou no conceito de mexer a educação como um elemento transformador da vida, do território e para a sociedade. Este desafio vai muito além de uma utilização da educação só como um instrumento de sala de aula. Quebrando paradigmas e trabalhando novos desafios, tem como meta o princípio do desenvolvimento das pessoas e das comunidades com o sentido de cada vez mais formar cidadãos e não meramente profissionais ou estudantes que possam alcançar o ensino superior, o qual também é muito importante.

Outro elemento fundamental é a participação do Estado como colaborador da educação no ensino fundamental, porque essa é a base do ensino médio que é responsabilidade do Estado. Portanto, transformar e contribuir na transformação de todas as etapas do ensino; criar um ambiente para que verdadeiramente a educação seja transformadora em todas a suas fases, completando esse eixo de sociedade e comunidade, com sentimento de formação cidadã, muito mais orientada para os interesses da população; e claro, preparando a nossa juventude para essa nova caminhada, sem deixar de lado as pessoas que no passado não tiveram a oportunidade de entrar na escola.

Como pode a sociedade se envolver na educação? Qual é a experiência da Bahia?

O primeiro aspecto que tem é romper essa barreira ou esse muro que ao longo dos anos foi separando a escola da comunidade. A escola é um elemento transformador. Um exemplo disso é um programa que foi lançado pelo governador Rui Costa de escolas culturais. A escola ensina e pratica ciência, mas tem que entender também o mundo das artes e como é que ela se relaciona com a cultura do território e da sociedade. Essa simbiose e essa sinergia são uma contribuição fundamental e fazem cada vez mais usar a escola como um elemento capaz de promover a transformação social.

E nós estamos trabalhando nisso. Por isso, até a distribuição geográfica de toda a estrutura da Secretaria obedece a uma decisão territorial. Assim, você consegue juntar identidade, cultura, economia, desejos, expectativas e soluções, criando esse ambiente. Uma escola isolada, além de não formar cidadãos contextualizados, não vai contribuir para absolutamente nada. O grande desafio é a escola interagindo e a comunidade participando.

A escola é um elemento que permanece. As cidades passam por diversas transformações, mas em cada uma delas sempre tem uma escola. Em alguns lugares, ela chega a ser até o único elemento agregador. Portanto, não pode perder de forma nenhuma a função que tem, através da formação e da contribuição dos seus professores. Em algumas localidades, por exemplo, os mais ilustres desde o ponto de vista do conhecimento e da capacidade de interagir no distrito, são os professores. Não podemos esperar que esse recurso seja usado exclusivamente na sala de aula. Para contribuir ainda mais com a sociedade, a escola precisa passar por essa mudança para que a educação seja exatamente um elemento transformador.

Quais são os maiores projetos de inovação educacional e que resultados foram alcançados?

Por determinação do Governador, nós trabalhamos no eixo de Educar para Transformar com pilares muito fiéis. A grande transformação da escola não vem através de máquinas, nem de tecnología, nem de software. Todas essas condições são ferramentas. A grande transformação é causada pelo eixo pedagógico. Portanto, precisamos consolidar uma boa base, estabelecer novos conteúdos e entender a necessidade de ter um Currículo Bahia, sem deixar a nossa base nacional curricular, mais conseguindo identificar de forma muito territorializada qual deve ser cada metodologia, cada escolha e cada implementação, para criar uma nova caminhada pedagógica. Trabalhar a partir disso na reestruturação da escola, com uma valorização dos profissionais na área de educação e ao mesmo tempo de formação continuada para eles. E aí, criando um novo ambiente, não só de sala de aula, mais de diversas práticas, para que o aluno possa chegar em uma escola mais atrativa, que lhe prepare para o futuro.

Outro elemento fundamental é introduzir novas opções nesse contexto curricular. As Escolas Culturais, a Ciência na Escola e o E-Nova Escola são elementos do contexto pedagógico que vão corroborar com o desejo da escola no sentido dessa transformação. Para isso, estamos trabalhando com diversas implementações e metas: toda escola com coordenador pedagógico, concurso para novos professores, duas jornadas pedagógicas por ano nas escolas, um processo de diálogo permanente com os gestores, e formação a distância para 24 mil professores com toda a estrutura da Universidade Federal da Bahia. Essas ações estão integradas num projeto pedagógico que respeita principalmente as escolhas de cada escola. A Secretaria pode orientar mais é importante que cada escola possa construir a partir de seu planejamento pedagógico o seu novo caminhar. É uma nova forma de enxergar a escola que nós estamos batizando de E-Nova Escola, com a consolidação de uma plataforma com conteúdo produzido por baianos e baianas para priorizar a utilização do Currículo Bahia.

O próximo Encontro Internacional Virtual Educa terá uma de suas sedes no​ antigo​ ICEIA que ​vai se tornar um centro de inovação educacional e tecnológica. Que futuro você imagina para ​o ICEIA e quais são as expectativas d​o Virtual Educa Bahia 2018?

O fato de Virtual Educa acontecer no ICEIA teve muito uma ligação com o que é Virtual Educa: um evento que provoca a todo o mundo de maneira que a gente possa descobrir como inovar e como superar as barreiras para fazer a educação chegar em todos os cantos com qualidade e capacidade transformadora. E o novo ICEIA será isso, um centro de formação e inovação que terá a capacidade de juntar a tecnologia de ponta com a arte. Vai ter cursos de teatro e área de restauração, será um local onde vai se poder apresentar durante o ano inteiro tudo o que de forma muito valorosa é feito em cada escola. Também será um espaço para estimular o surgimento de startups e de empreendedorismo. Esse grande centro vai abrigar desde um restaurante escola até a volta do antigo teatro, o segundo maior de Salvador, agora integrado nesse novo contexto.

O Virtual Educa passará pela Bahia trazendo boas experiências, juntando professores, alunos e especialistas, com a participação dos municípios, para que todos possam trocar conhecimentos e enxergar práticas transformadoras. Depois disso, fica o legado. A ideia é que o Virtual Educa não se vá com o fechamento do evento, mas que ele fique permanentemente na Bahia enquanto uma prática, com o ICEIA como a sua sede.